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Rostos, braços e pernas coloridos, cocares, penas e demais adereços ao longo do corpo que logo de cara dão às boas vindas e representam a essência daquele povo. Espalhados por todo o país e de simbologia única na cultura popular brasileira, índios de tribos de quatro estados brasileiros estiveram, na manhã da última sexta-feira (31), na EMEB (Escola Municipal de Educação Básica) Professor Jorge Bertolaso Stella, no Parque do Estado II, zona Norte de Mogi Mirim, para uma visita mais do que especial.

Seis índios, três homens e três mulheres, das tribos Pataxó, do Sul da Bahia, Pataxó Hâ-Hã-Hãe, do Rio Grande do Sul, Kariri-Xocó, de Alagoas, e Fulni-ô, do Estado do Pernambuco, levaram a 90 alunos do 6º ao 9º do ensino fundamental peças de artesanato, conhecimento e costumes de todo um povo. Em mais de duas horas detalharam a rotina de quem tem a oportunidade de viver na mata e os desafios de pertencer a uma tribo indígena.

A vinda do grupo foi articulada pela índia Tamikuã, nascida em Porto Seguro, na Bahia, mas casada com um homem branco, termo utilizado dentro do vocabulário indígena, residente há 22 anos em Estiva Gerbi. Mesmo vivendo em meio à zona urbana, não perdeu os costumes, e leva a representatividade de sua tribo para diversas regiões do país.

Entre os dias 24 e 26 de maio, ela, ao lado de índios de outras 20 etnias, participou do 1º encontro de Povos Indígenas em Estiva Gerbi. Uma professora da Bertolaso, presente no evento, em contato com Tamikuã, intermediou a visita do grupo à escola mogimiriana.

Atividades

Peças de artesanato confeccionadas pelos próprios índios foram expostas no pátio da escola, visando exibir ao público uma das fontes de sustento do grupo. Troca de olhares, conversas e admiração entre alunos e índios nortearam o encontro. Utensílios utilizados para a caça, como o arco e flecha, puderam ser vistos pelos alunos.

Com direito a pátio lotado, os visitantes ministraram uma palestra, dançaram e apresentaram rituais típicos de suas aldeias. Responderam a questionamentos relacionados a modo de vida, alimentação, residência, relação social, religião, e demais aspectos da rotina do dia a dia.

“Aproveitamos essas oportunidades para mostrar quem somos nós, como vivemos e desmistificar a imagem do povo indígena, muitas vezes distorcida. As pessoas esquecem que vocês têm um pouco do sangue indígena. Somos comuns e parte do povo brasileiro”, ressaltou Tamikuã.

Uma dança conjunta e cânticos alusivos à cultura indígena entre alunos, professores, diretores e os próprios índios encerrou a visita.

Fotos: divulgação